Recentemente, o exame médico de fim de ano na Universidade Sorbonne Paris Nord foi objeto de acalorada polêmica. Algumas perguntas feitas aos estudantes incluíam referências ideológicas e geopolíticas não relacionadas à formação médica, como o conflito israelo-palestiniano.
Embora a administração tenha reconhecido “erros crassos”, não tomou toda a medida desta preocupante infiltração política no santuário académico que a universidade deveria ser.
A inclusão de tais questões num exame médico ultrapassa os limites do aceitável. Isto revela uma profunda subversão dos objectivos educativos que deveriam promover a objectividade científica, o mérito e a excelência, pilares do progresso médico. O ensino superior visa transmitir conhecimentos factuais e estimular o pensamento crítico, para além de qualquer consideração ideológica.

Em vez disso, estamos a assistir a uma infeliz interferência das agendas políticas e ideológicas na educação, ameaçando os próprios alicerces da nossa sociedade do conhecimento. A universidade deve continuar a ser um espaço de livre pensamento, produção e transmissão de conhecimento, ao abrigo de pressões partidárias. Tolerar tais acções equivale a abrir a caixa de Pandora e a pôr em perigo a independência do ensino superior em relação às ideologias.
Se tais abusos se tornarem comuns e se espalharem, que futuro terá o nosso sistema de ensino superior? Deveríamos tolerar movimentos politizados com fins partidários que ditam o conteúdo dos programas universitários em detrimento da formação imparcial dos futuros médicos, engenheiros, advogados, etc.? ? Em última análise, isto poderia comprometer seriamente a qualidade da formação ministrada e as competências dos diplomados.

É, portanto, crucial que a comunidade académica como um todo se mobilize para reafirmar com força os princípios fundamentais de integridade, neutralidade, independência e secularismo que devem prevalecer nos estabelecimentos de ensino superior. Devemos recusar ceder a pressões externas de onde quer que venham, sejam elas políticas, religiosas ou outras, susceptíveis de corromper os nossos padrões educativos seculares, protegidos pela liberdade académica.
Para além do simples rigor académico, é uma grande responsabilidade social que cabe às autoridades académicas. Devem garantir uma formação da mais elevada qualidade às gerações futuras, livre de qualquer forma de arregimentação ou propaganda ideológica. O futuro do nosso país, a competência das nossas elites, a qualidade dos serviços públicos e privados dependem disso. Perguntamos, portanto, ao reitor da Universidade Sorbonne Paris-Nord que medidas pretende tomar para sancionar estes abusos e garantir que não se repitam.