Por XLS
O que importa na Universidade não é o que sou, mas o que sei.
Mapeamento de conhecimento e o indivíduo
Os fundamentos da Universidade baseiam-se numa missão citada pelo CNRS no seu site: “ampliar o campo do conhecimento”. Isto significa que a vanguarda da investigação obedece apenas a um imperativo filosófico. Esta grande latitude baseia-se num princípio: o do progresso. E os investigadores, nomeados para os seus cargos diretamente pelo Presidente da República ou pelo Primeiro-Ministro, são independentes de qualquer hierarquia.
Formam uma equipa e organizam a sua investigação de acordo com o financiamento cuja fonte é regional, nacional através da Agência Nacional de Investigação ou europeia através da Agência Europeia. Este financiamento funciona como uma política de incentivos, na ausência de uma política de coordenação planeada.
As disciplinas de investigação (matemática, física, química, etc.) são objecto de uma descrição global que os alunos devem aprender a dominar gradualmente antes de darem o seu próprio contributo para a construção. Essa divisão da disciplina corresponde a algo que todos conhecem: o diploma.
O diploma é a certificação por parte dos professores-investigadores de que o perfil do aluno corresponde a um determinado grau de elevação de conhecimentos com base em provas comuns que permitem comparar os níveis dos alunos entre si, claro, mas sobretudo: avaliar comparando-os com o medidor padrão da quantidade de conhecimento adquirido.
Ou seja, a distribuição de diplomas por disciplinas na Universidade assenta numa espécie de mapeamento do conhecimento que orienta a Investigação e a Inovação, por um lado, e que estrutura a formação de estudos, por outro, impondo nomeadamente uma supervisão disciplinar. Estas áreas de investigação estão presentes nas Universidades em componentes elas próprias ligadas à Formação e à Investigação e são representadas a nível nacional pelo Conselho Nacional de Universidades que se encontra dividido em secções, em academias por disciplina onde têm assento representantes eleitos ou nomeados.
…e toda a cadeia do ensino secundário está portanto ligada a este mapeamento do conhecimento e da sua estrutura.
Todo o campo do conhecimento do CNRS está dividido em disciplinas ou grupos de disciplinas que correspondem ao seções do Comitê Nacional da investigação científica.
Mas atenção, esta divisão, fixada por decreto ministerial, é regularmente adaptada à evolução da ciência e dos campos disciplinares, através da reorganização do número de secções e dos seus títulos.
Esta organização, aparentemente muito detalhada, define em particular as expectativas do primeiro diploma que marca o ingresso no ensino superior: o bacharelado, cujas provas já têm um colorido disciplinar. O conteúdo das provas de bacharelado está de alguma forma vinculado à organização da Pesquisa, e toda a cadeia do ensino médio está, portanto, vinculada a esse mapeamento do conhecimento e à sua estrutura.
Assim, as disciplinas estabelecem um limite de conhecimento por diploma e o Estado decide que o nível de formação de um professor em cada uma das disciplinas depende de um certo grau de elevação do aluno em sua área. As provas e o seu conteúdo são objeto de consenso entre a Educação Nacional – representada pela Inspeção Geral, e a Universidade.
A subversão do ensino secundário
Isto explica como a irrupção estudos no domínio das ciências humanas pesa fortemente, a curto prazo, na organização da escola. Com efeito, se os autoproclamados “estudos” se constituíram assim, é sobretudo porque são transversais às disciplinas: podemos estar em estudos pornôs e ser professor de Literatura Moderna ou civilização americana.
Esta imprecisão deliberadamente mantida leva a que os professores-pesquisadores se relacionem com estes estudos ser um ativista de seus estudos por um lado e por outro, intervir como professor de literatura em diversos graus de diplomas, até ao de mestrado em docência. E é por isso que vemos florescer títulos de cursos nas licenciaturas que já não têm nada a ver com Literatura no sentido que Antoine Compagnon ou Georges Molinié deram a esta palavra nos seus cursos.
Assim, em determinadas universidades de graduação, assistimos ao surgimento de áreas de ensino “Literatura, sociedades, ecossistemas” cujo objetivo é o folheto que nos explica:
Tirar lições práticas das contribuições teóricas dos estudos de gênero, raciais e coloniais cujo trabalho tem mostrado a dominação do campo epistemológico e artístico por homens brancos heterossexuais" e acrescenta que "a partir da observação de que o cânone construído pela história literária silencia e invisibiliza autores pertencentes a categorias minoritárias relegadas às margens do espaço literário", o curso oferece um programa de leitura de textos "escritos por autores atrevido problemas da história colonial.
Folheto de Licença
Ou outro curso dedicado à literatura medieval na mesma área centra-se, através da leitura de Christine de Pizan, em “questionar a noção de género (gênero) (sic).
A partir do momento em que estes campos se institucionalizam sub-repticiamente através do activismo dos professores, não é impossível, pois les Échos em um artigo de maio de 2019 afirmar que existem muitas oportunidades profissionais para Mestres de Gênero:
“após a adopção por instituições internacionais desta nova definição, a perspectiva de “género” e a questão da igualdade de género entraram na “engenharia burocrática” de um grande número de actores (organizações internacionais, organismos nacionais responsáveis pelas políticas públicas, ONG, empresas ). »
https://start.lesechos.fr/apprendre/universites-ecoles/masters-en-gender-studies-la-ruee-des-etudiants-tres-diplomes-1175508
Aos poucos, o mapeamento das áreas de atuação é interrompido por essa irrupção de estudos na vanguarda, que pesam nos currículos dos futuros professores. E é assim que testemunhamos gradualmente à demanda assumida de jovens professores certificados por ensino inclusivo, ou decolonial nas aulas do ensino secundário quando não se trata mais de um conhecimento positivo proveniente de uma disciplina identificável, mas de um discurso moralizante.
Notamos mesmo um enfraquecimento considerável das competências formais no domínio disciplinar a que supostamente pertencem os jovens licenciados. Não é surpresa se encontrarmos agora professores cometendo erros de conjugação, mas que praticam a escrita inclusiva.
A sociedade de amanhã está sendo construída nas salas de aula e nos auditórios de hoje...