Por Alexandre Devecchio – Fayard Edições 02/2026.
Mais do que uma autobiografia, este livro é uma crônica de um tempo tão recente e, ao mesmo tempo, tão distante. Uma época em que os subúrbios do norte de Paris eram um caldeirão de assimilação. Alexandre Devecchio, filho de um casal de imigrantes ítalo-portugueses, é inegavelmente qualificado para falar sobre integração e assimilação. Ao longo de sua trajetória, que o levou a se tornar o brilhante editor-chefe das páginas de opinião do Le Figaro e da Le Figaro Magazine, bem como apresentador do programa "Controverse" na LCP, o autor pinta um retrato de Seine-Saint-Denis, cujo rápido declínio testemunhou em primeira mão. Uma observação que corroboramos, pois também crescemos em Seine-Saint-Denis. A delinquência endêmica ali atingiu proporções apocalípticas com a proliferação do narcotráfico. O comunalismo e o islamismo criaram raízes nesse terreno fértil para o crime organizado. O autor descreve essa mudança de "lado a lado" para "cara a cara" e oferece uma análise das causas, mantendo uma pequena dose de otimismo ao considerar "os contornos de uma possível reconciliação".
Entre os capítulos mais originais deste livro, destaca-se o sobre "as vítimas esquecidas de 2005". O autor nos lembra que, embora as mortes dos jovens Zyed e Bouna, eletrocutados em um transformador da EDF onde se trancaram, tenham desencadeado os distúrbios nos subúrbios, cujas brasas foram amplamente alimentadas pela imprensa "progressista" e pela esquerda, o assassinato do policial Jean-Claude Irvoas, espancado até a morte na frente de sua família, e a morte de Alain Lambert, zelador da escola secundária de Trappes, asfixiado enquanto tentava conter o incêndio no prédio, não receberam a mesma "atenção da mídia". Ainda assim, eles estavam corajosamente tentando cumprir seu dever. Mas talvez um pouco "brancos demais"?
Alexandre Devecchio também relata suas experiências, surpresas e dúvidas na faculdade de jornalismo. Ele tem perguntas específicas sobre a guinada islamo-esquerdista de duas de suas colegas de origem norte-africana, Nassira e Louisa, jovens mulheres que antes eram emancipadas, mas que agora abraçaram a ideologia indígena radical. E quem conhece a reportagem do Alloncle sobre a radiodifusão pública não ficará realmente surpreso com os resultados da "votação" organizada no CFJ (Centro de Formação em Jornalismo) para a eleição presidencial de 2012! Vale lembrar que, nessa votação interna, Hollande obteve 53% dos votos e Mélenchon 47% no segundo turno, enquanto Sarkozy e Le Pen não receberam nenhum voto no primeiro turno…
Deixaremos que você descubra a totalidade desta cativante e esclarecedora autobiografia. Quanto à evolução deste "território perdido da República", podemos resumi-la com uma pequena canção que lembra Aznavour:
O Lamento dos Noventa e Três
Estou falando de um tempo
Os menores de quarenta anos
Eles não podem saber.
Talvez sejam apenas memórias vãs.
Naquela época, em 93
A assimilação era um dado adquirido
Lado a lado, passo a passo
Cabiles ou católicos estavam presentes no bar mitzvá.
Falávamos francês, às vezes muito mal.
E se Saint-Denis ainda honrasse seus reis?
De fato, os amigos de Stalin estavam no comando ali.
Em La Courneuve, foi a Fête de l'Humanité (Festival da Humanidade).
Em Villetaneuse, era o Malma
Onde César deu seus primeiros passos.
O véu, sua Vênus não usava um,
Ainda não era a casbá.
Na Vogue, Dutronc cantou "E eu, e eu".
Um prelúdio para a era do "cada um por si".
Neste subúrbio, existem apenas alguns cinemas.
Projetamos a vida além.
Não haverá multidões de estudantes gritando "Viva Gaza"
Eles localizam o local em um mapa no lado ganês.
Frustrados, graduados em qualquer área,
Fugindo da realidade, do trabalho e da lei.
Havia, é claro, criminosos.
Mas acima de tudo, trabalhadores, lojistas, um lar
Pobre, mas honrado e sem assistência social.
Naquela época, o modelo de 93 era assim.
Lucien Vollesan, nouvelliste.