Identidade versus liberdade

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Identidade versus liberdade

Saiba Mais  Artigo oferecido Incapazes de viver sozinhos, às vezes procuramos o nosso casulo através da pertença à comunidade. Mas é claro que a virulência dos pequenos grupos muitas vezes se intensifica ao ponto de se transformar em intransigência ideológica. Em nome de uma causa justa, por exemplo a ecologia, alguns tornam-se injustos (destruindo obras de arte, bloqueando estradas ou danificando carros descaradamente). Em nome do anti-racismo, alguns tornam-se racistas (veja o racismo em cada pessoa branca). Em nome do feminismo, algumas tornam-se antifeministas (valorizando as mulheres simplesmente porque são mulheres, o que a paridade mantém). Quaisquer que sejam os exemplos, a mesma canção é ouvida por trás destas colónias de peticionários e insurgentes ao longo da vida unidos sob a bandeira da vitimização. Aquela amargura odiosa que impele a desconstruir, a destruir, a prejudicar, sem nunca construir. Mas mostrar o bem não se faz mostrando o seu oposto. Foi o que Nietzsche denunciou com a ideia de “força reativa”, que só surge através da oposição, uma técnica vã e ineficaz. Por que então estas facções persistem neste impasse que nunca seduziu ou convenceu ninguém? Será que o fato de pertencerem ao que consideram ser o campo do bem lhes daria o conforto de finalmente serem alguém e uma boa pessoa? Erro dogmático é aquele que deduz a existência de pertencimento. Existir é tornar-se você mesmo, individualizar-se. Pertencer é se identificar e ser exemplo. A identificação desempenha certamente um papel na individualização sem, no entanto, se reduzir a ela, caso contrário a identidade seria apenas duplicação. Não temamos, portanto, de forma alguma estes fanáticos aglutinistas que confundem existência e obediência, sem ver que o caos que almejam apenas revela o seu próprio nada. 

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Incapazes de viver sozinhos, às vezes procuramos o nosso casulo através da pertença à comunidade. Mas é claro que a virulência dos pequenos grupos muitas vezes se intensifica ao ponto de se transformar em intransigência ideológica. Em nome de uma causa justa, por exemplo a ecologia, alguns tornam-se injustos (destruindo obras de arte, bloqueando estradas ou danificando carros descaradamente).

Em nome do anti-racismo, alguns tornam-se racistas (veja o racismo em cada pessoa branca). Em nome do feminismo, alguns tornam-se antifeministas (valorizando as mulheres simplesmente porque são mulheres, o que a paridade mantém). Quaisquer que sejam os exemplos, a mesma canção é ouvida por trás destas colónias de peticionários e insurgentes ao longo da vida unidos sob a bandeira da vitimização. Aquela amargura odiosa que impele a desconstruir, a destruir, a prejudicar, sem nunca construir.

Mas mostrar o bem não se faz mostrando o seu oposto. Foi isso que Nietzsche denunciou com a ideia de “ força reativa ”, que só surge na oposição, uma técnica vã e ineficaz. Por que então estas facções persistem neste impasse que nunca seduziu ou convenceu ninguém? Será que o fato de pertencerem ao que consideram ser o campo do bem lhes daria o conforto de finalmente serem alguém e uma boa pessoa?

O erro dogmático é aquele que deduz a existência de pertencimento. Existir é tornar-se você mesmo, individualizar-se. Pertencer é se identificar e ser exemplo. A identificação desempenha certamente um papel na individualização sem, no entanto, se reduzir a ela, caso contrário a identidade seria apenas duplicação. Não temamos, portanto, de forma alguma estes fanáticos aglutinistas que confundem existência e obediência, sem ver que o caos que almejam apenas revela o seu próprio nada.

 

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