Uma estudo acaba de ser publicado na revista Natureza , de quem A imprensa francesa ecoou. Indica que, desde 1945, as descobertas científicas têm sido cada vez menos revolucionárias (ou “disruptivas”). Para chegar a esta conclusão, os autores analisaram artigos publicados desde 1945, atribuindo-lhes uma pontuação de “disruptividade”. Eles observam um declínio constante neste índice.
Para além dos debates suscitados por este estudo, cuja metodologia e conclusões são discutidas, somos tentados a fazer uma transposição: será que as ciências sociais seguiram o mesmo caminho?
É claro que qualquer julgamento global é necessariamente injusto: não faz justiça aos numerosos estudos de qualidade que são realizados todos os anos. Contudo, não podemos deixar de nos perguntar: de onde vem esse sentimento de que as ciências sociais já não contribuem muito? Onde estão as obras notáveis? Ainda estamos produzindo estudos que poderão continuar nas próximas décadas?
Uma comparação com o passado dá a medida do declínio. Lembremos que a década de 1890 viu a publicação simultânea de obras que ainda hoje são marcos: As leis da imitação por Tarde (1890), As regras do método sociológico por Durkheim (1895) e Psicologia de multidão por Le Bon (1895). Nas décadas de 1960 e 70, foi a era dos “quatro mosqueteiros” da sociologia: Crozier, Touraine, Boudon, Bourdieu.
O que é comparável hoje? A sociologia parece ser impulsionada por um exército de funcionários públicos que, sem necessariamente serem indignos, produzem em linha de montagem uma literatura homogênea e de mau gosto, que busca menos o avanço do conhecimento sociológico do que se colocar a serviço de causas militantes.
Essa deriva foi perfeitamente descrita por Raymond Boudon em um artigo muito bom. Ele apontou um paradoxo: as ciências sociais nunca foram tão abundantes e presentes na sociedade, seja nas políticas públicas, seja na mídia, mas abandonaram sua finalidade explicativa. Se quiséssemos ser maus, poderíamos dizer que eles se tornaram uma componente do aparelho estatal, sendo os sociólogos os novos intelectuais orgânicos do nosso tempo.