[por Xavier-Laurent Salvador]
Decidimos, portanto, reescrever os grandes clássicos da Literatura numa escrita inclusiva para compensar a ineficiência dos editores reacionários que não ousam arriscar. Determinados a lutar pela beleza do gesto, vamos restaurar o ponto médio onde quer que os autores heteronormativos brancos patriarcais e de gênero cis se tenham esquecido de fazê-lo. libertar a literatura dos grilhões sórdidos em que tem definhado desde que a Sorbonne e outros conspiradores do mesmo género tentaram abusar da gramática – esta lamentável ferramenta de orthoshaming – para produzir conteúdo reaccionário. Todos os grandes autores estarão lá e, acredite, será uma festa intermediária. Haverá uma verdadeira carnificina em todos os lugares! Inclusivo como se estivesse chovendo, uma verdadeira festa. Hoje: o desaparecimento de Perec.
Anton Voyl não conseguia dormir. Ele acendeu. Seu Jaz marcava meia-noite e vinte. Ele suspirou profundamente, sentando-se na cama, apoiando-se em sua mochila. Ele pegou um romance, abriu-o e leu; mas só entendia um confuso imbróglio, tropeçava numa palavra cujo significado desconhecia.
Ele deixou seu romance em sua cama. Ele foi até a pia; molhou uma luva que passou na testa e no pescoço.
Seu pulso estava batendo muito forte. Ele estava com calor. Ele abriu a clarabóia, espiando a noite. Foi leve. Um barulho indistinto surgiu dos subúrbios. Um sino, mais pesado que um pedágio, mais abafado que um tocsin, mais profundo que um zangão, não muito longe, soou três badaladas. Do canal de Saint-Martin, uma batida melancólica sinalizou a passagem de uma barcaça.
Na aba da clarabóia avançava um animal de tórax índigo e espinha açafrão, que não era barata nem gorgulho, mas artesão, arrastando um raminho de esparto. Ele se aproximou, querendo achatá-lo com um golpe forte, mas o animal fugiu, desaparecendo na noite antes que ele pudesse atacá-lo.
Merda!