Julien Théry, medievalista e professor da Universidade de Lyon II, conhecido por sua atuação no canal do YouTube Le Média, intimamente ligado à França Insubmissa, acaba de publicar no Facebook uma lista com "20 genocidas a serem boicotados em todas as circunstâncias". A lista inclui nomes de extremistas perigosos como Charlotte Gainsbourg, Pascal Bruckner, Mona "Jefarian" (pronuncia-se "Jafarian"), Haïm Korsia, Arthur, Alain Minc, Joann Sfar e Philippe Torreton. Assim, vinte indivíduos corajosos, muitos dos quais criticaram as políticas do governo de Benjamin Netanyahu, estão sendo alvo de todos aqueles que defendem a teoria de um genocídio meticulosamente planejado pelo Estado de Israel. Independentemente da opinião de cada um sobre o conflito israelo-palestino, esta publicação é uma falha moral imperdoável, pois coloca na mira vinte pessoas que, por sua vez, jamais incitaram qualquer tipo de violência. Qual é, então, o denominador comum entre eles? É fácil identificar dois denominadores comuns. O primeiro é simplesmente a sua origem judaica. É verdade que isso se aplica a apenas cerca de quinze deles, o que sem dúvida permitirá a Julien Théry e seus amigos destacar uma certa diversidade em suas escolhas. Essa tática não enganará ninguém. O segundo denominador comum é obviamente a defesa do direito de Israel de existir como Estado e a convicção de que existe uma diferença fundamental entre "terroristas" e "combatentes da resistência". Em um artigo recente, Julien Théry foi particularmente claro: "Os três princípios fundamentais do sionismo contemporâneo — a saber, a existência de uma nação que une todos os judeus, sua vocação para construir um Estado-nação e o direito deste a um território na Palestina (princípios compartilhados por muitos antissemitas) — são indefensáveis sem fortes vieses ideológicos aliados a falsificações históricas". Em resumo, o direito de Israel de existir não é "defensável".
A lista de infâmias publicada por Julien Théry não é fruto de um acesso de raiva descontrolado. O autor desenvolveu recentemente suas "ideias" em um texto que visa provar que o próprio conceito de antissemitismo de esquerda é "notícia falsa", uma "manipulação neoliberal-sionista". Baseando-se, entre outros, em Houria Bouteldja, ativista pelos direitos dos povos indígenas conhecida por ter declarado, notavelmente, que "Matar um israelense é matar dois coelhos com uma cajadada só, eliminando ao mesmo tempo um opressor e um oprimido" ou "Não se pode ser israelense inocentemente", Théry argumenta que "o único antissemitismo moderno é o da direita nacionalista". Portanto, não existiria antissemitismo de esquerda nem antissemitismo islâmico (esta última questão sequer é levantada). Na realidade, para este professor de Lyon, o antissemitismo de esquerda, embora bem documentado e exaustivamente pesquisado em inúmeras publicações, é uma invenção, ou melhor, uma "instrumentalização dos judeus (...) pelas elites governantes ocidentais". Os leitores que se espantarem com tal negação da realidade devem compreender o recurso retórico aqui empregado. Quando os fatos parecem autoevidentes, acadêmicos que confundem pesquisa científica com ideologia explicam a quem quiser ouvir que aquilo que pensavam ter visto claramente não existe. Julien Théry também explica que o islamo-esquerdismo foi criado como um "novo inimigo interno", para substituir o "judeu-bolchevismo" na mente da burguesia conservadora. Certamente não é coincidência que grande parte da pesquisa medieval desse historiador tenha visado demonstrar que a heresia cátara não existiu como tal, mas foi resultado de uma espécie de conspiração clerical com o objetivo de estabelecer o domínio da Igreja sobre a sociedade cristã…
Além da criação de uma lista antissemita, além dos argumentos totalmente tendenciosos apresentados por Julien Théry em seu artigo, é impossível não se chocar com essa mistura de ativismo cego e suposto rigor científico. É justamente em nome de sua suposta expertise como historiador que esse colega nega a Israel o direito de existir como Estado, que rejeita qualquer descrição factual minimamente precisa da realidade contemporânea e, sobretudo, que apresenta uma lista de figuras predominantemente judaicas que têm o azar de não pertencer à ala de extrema esquerda, "antigenocida", do espectro político. O antissemitismo de esquerda sempre existiu: nasceu de um frenético anticapitalismo e ganhou novo fôlego com o conflito israelo-palestino. Alguns podem se surpreender com a facilidade com que ele se concilia com os valores de esquerda: neste ponto, a única resposta parece ser, para seus apologistas, uma negação flagrante das evidências e dos fatos. Que essa vergonhosa evasão possa ser perpetrada por acadêmicos normalmente comprometidos com o princípio da neutralidade de valores, que ela se disfarce no prestígio da pesquisa científica, que até mesmo justifique a criação de listas que remetem aos nossos momentos mais sombrios — essa é uma realidade que não podemos aceitar.
A luta contra o antissemitismo, em todas as suas formas e independentemente de sua origem, não é de direita nem de esquerda. Ela transcende as filiações políticas porque é uma condição essencial da nossa dignidade. Nós, intelectuais, acadêmicos, estudiosos e pesquisadores, clamamos para que ela seja travada com coragem e tenacidade.
Artigo de opinião publicado por Le Figaro FIGAROVOX/OPINIÃO Ver fonte.