Na Universidade de Grenoble, é o Mês da Igualdade!

Na Universidade de Grenoble, é o Mês da Igualdade!

Vicente Tournier

Docente de ciência política no IEP de Grenoble.
O "mês da igualdade", organizado pela Universidade de Grenoble-Alpes, substitui o debate acadêmico por ações de conscientização ideológica que tomam o lugar da reflexão intelectual.

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Na Universidade de Grenoble, é o Mês da Igualdade!

Durante o mês de março, a Universidade de Grenoble-Alpes organiza o seu "mês da igualdade". Enquanto este evento global é dramaticamente ignorado pelos meios de comunicação nacionais, a universidade assume orgulhosamente a sua nova missão de doutrinação, que o próprio George Orwell certamente não previu*.

*Todos os exemplos citados abaixo são, infelizmente, autênticos.


Soem os alarmes e os tambores, alegrem-se, gente boa: chegou o mês da igualdade, celebrado em grande estilo pela Universidade de Grenoble-Alpes (UGA). A programação é particularmente atraente (https://www.univ-grenoble-alpes.fr/actualites-et-evenements/mois-de-l-egalite-2026-1686362.kjsp?RH=1695913839109):

• 2 a 6 de março de 2026: Semana dedicada à saúde da mulher na universidade.
• 9 a 13 de março de 2026: Semana de ação contra a violência sexual e de gênero.
• 16 a 20 de março de 2026: Semana de ação contra a discriminação racial.
• 23 a 27 de março de 2026: Semana de ação contra o ódio anti-LGBTQIA+.

Entre as atividades oferecidas, destacamos "Dupla identidade na França", "Mulheres e IA", "Nos passos dos pioneiros", "Conscientização sobre violência sexista e sexual", "Representações LGBTQI+" e "Estereótipos e parentalidade".

Mas isso não é tudo, é claro. Além de uma peça maravilhosa "contra a transfobia", haverá também uma excelente exposição sobre "Pobreza Menstrual". Quem tem sede de conhecimento certamente vai querer participar da conferência "Quebrando Estereótipos: Mulheres na Engenharia Nuclear". Seguindo a mesma linha, não perca as exposições "Matemática, Ciência da Computação... com Elas" e "Mulheres na Matemática... Por Que Não Você?". Enquanto isso, haverá um piquenique com interpretação em língua de sinais. Você também pode tentar a sorte na competição "Criando Juntos um Mundo Mais Inclusivo". Um momento mais impactante será a exposição ilustrada intitulada "Os Crocodilos", que aborda o tema do assédio (os crocodilos, é claro, representam os homens). Após esse momento mais reflexivo, todos poderão participar com entusiasmo de uma animada sessão de karaokê, desde que, é claro, escolham uma música que defenda a "igualdade para todos".

Outro evento muito aguardado é a oficina dedicada à "costura de calcinhas menstruais". Também vale mencionar a palestra (seguida de uma oficina) que a arquiteta e pesquisadora Milena Charbit ministrará sobre arquitetura lésbica, um campo injustamente negligenciado pelas normas heterossexuais e patriarcais-capitalistas. Para encerrar este mês maravilhoso, todos correremos para assistir à performance "Grouper", de Lou Trotignon, na qual a narradora relata sua transição de gênero.

Os críticos podem achar este programa um tanto quanto carente de variedade, ou até mesmo um pouco politicamente correto. É verdade que os debates são raros durante este festival: não há tempo reservado para discutir a noção de igualdade, sua compatibilidade com a liberdade ou sua divergência da equidade, e seria inútil procurar qualquer ocasião em que a diferença entre os sexos pudesse ser questionada. Em suma, nada aqui se assemelha ao que outrora constituía a missão da universidade e a própria essência de... disputatio academica.

Mas que se dane a filosofia antiquada! O tempo para essas discussões inúteis e miseráveis ​​acabou; o tempo da ação, até mesmo da luta, como proclamado na agenda apresentada acima, é agora. O objetivo é guiar as consciências, não corrompê-las com perguntas que perturbam e desviam mentes frágeis.

A única questão que importa é por que nos contentamos com tão pouco. Dada a importância dessas questões, um mês é realmente razoável? Certamente, um semestre inteiro não seria excessivo. E por que não um ano inteiro, em que todo o ensino seria substituído por debates contínuos e inclusivos, nos quais professores e alunos trocariam ideias sobre igualdade, particularmente a igualdade menstrual, em pé de igualdade? Vamos pensar grande, camaradas! A revolução pela igualdade está em curso: começa na universidade e nada a impedirá!

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Vicente Tournier

Docente de ciência política no IEP de Grenoble.

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